sexta-feira, 19 de julho de 2013

Por Onde Anda?

ALCEU MEDEIROS


Nasci em Santa Rosa/RS., no ano de 1941, filho de  Paulino Medeiros e Dorcina Portinho Medeiros. Tive o apelido de Tigrinho.  Sou formado em Direito e cursei dois anos de Economia.

A minha infância foi muito difícil e 
ao mesmo tempo muito boa. Difícil porque a gente não tinha calçados para usar. O primeiro calçado que usei se chamava alpargatas. Muito boa (a vida), porque tinha um riacho perto da minha casa (o rio Pessegueirinho), que quando transbordava, enchia à várzea de peixes e bastava pegá-los no tapa (traíras, jundiás e muitos lambaris). Também, tinha um campinho de futebol onde se jogava de pés no chão. O problema é que tinha um pé de tuna atrás de uma goleira e quando a bola chegava lá, furava. O pé de tuna (perto da casa do Raul Meneguini, o xerifão da área do Aliança) também é chamado de cacto. O mais divertido é que tinha um canal de água perto de casa, para impulsionar uma roda gigante, de um curtume de couros (do Fenner) e a gente se largava no canal, até bem pertinho da roda e antes de chegar nela, a gente se agarrava numa trava que tinha bem no final e voltava pelo canal, mesmo para repetir a proeza. Hoje, chamam isso  de esportes radicais. Depois, o pai que trabalhava no curtume, se mudou para a Rua Caxias, bem ali onde a polícia matou o Pala Branca, o Robin Hood missioneiro. A cruz, que assinalava o local da morte do Pala Branca, ficava bem defronte à casinha, (sabe aquela onde antigamente a gente fazia as necessidades) e de noite, era um problema para gente ir até lá..., pois ficava (a cruz) na cara da gente. Uma vez, meu pai ficou cheio da situação e jogou um punhado de bolitas (bolas de gude) na tal de casinha e eu não tive dúvidas. Enterrei-me até os joelhos e catei uma por uma das minhas bolitas. Fiquei cheirando mal por uma semana. O bom era que a gente só tomava banho uma vez por semana, naqueles chuveiros improvisados, ou seja, uma lata de querosene que a gente enchia de água fria e depois botava água quente. A operação era muito cansativa, daí a razão de tomar só um banho por semana. Bola, a gente jogava sábado de manhã e de tarde e ainda domingo pela manhã, no tal campinho das tunas ou então no estádio do Pessegueiro, lá perto do cemitério. Sempre tinhas uns torneios. A bola era de tento e tinha que ser cheia com um bico próprio e uma bomba de encher pneu de bicicleta. As chuteiras eram de bico duro. Valia tudo nesses jogos, menos xingar a mãe do outro. Depois, veio o Sepé Tiaraju, time de pobres, dos pés no chão. Os times que existiam em Santa Rosa, eram dos engomados e não deixavam nem a gente treinar. A maior alegria foi o dia em que o Sepé ganhou um campeonato citadino em cima do bicho papão, que se chamava Aliança. O Meneguini não se conforma até hoje e diz que a gente comprou o juiz daquele jogo. Bobagem.  Choro de perdedor é assim mesmo. À noite houve um baile na sede do Sepé e quebrou o maior pau entre os associados, pois tinha muitos jogadores do EC Aliança  (e também do Paladino), que eram associados do Sepé e não gostaram das flautas.

Torcia pelo Paladino, porém sempre joguei no Sepé, onde a gente era meio jogador e meio dirigente. A diretoria do Sepé era constituída, quase só de Medeiros (Aldo Medeiros, Engo Medeiros, Dino Medeiros e Alceu Medeiros. Eu, por exemplo, jogava com um olho na pelota e com o outro na bilheteria, caso contrário sobrava pra eu pagar tudo. Sou torcedor do Sport Clube Internacional, é claro, campeão de tudo. Aposentado da Secretaria da Fazenda do Estado, desde 1989, depois a gente virou operador do Direito (advogado).
Minha atividade esportiva, hoje, é só na arquibancada (quando joga o Esportivo) e depois torcedor fanático defronte da TV, quando joga o Inter ou o Grêmio (secando).
Fui dirigente só do Sepé Tiaraju. Depois disso, nunca mais. Valeu a lição. Maior feito: contratei o Paulinho Araujo, como treinador, depois que ele saiu do Grêmio, onde foi preparador físico.

Foto 01 - Com a esposa Vera e a filha Maria Eduarda na colação de grau em Direito, na UCS, da Vera. 
Foto 02 - Com o uniforme do Grêmio Esportivo Sepé Tiarajú de Santa Rosa. 

Colaboração de João Jayme Araujo/POA.

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