domingo, 18 de setembro de 2011

ASTROS DA TERRA



JARBAS TONEL (II)


(Depoimento de Plínio Tonel, a respeito de seu irmão JARBAS TONEL)
O Jarbas nasceu no dia 25 de abril de 1944, batendo bola. Com a família Tonel, morou um primo de sua mãe que tinha sido expedicionário na Itália e chamava-se Pedro Lucas..
Jogara um tempão no São José de Porto Alegre. Doente por futebol. Como o Jarbas fosse seu xará, pois o seu nome todo é PEDRO Jarbas Tonel, por desfrutar do carinho de seu primo, este, comprou calção, campiona, bola de couro e tudo mais, para os primeiros passos do atleta. Passavam batendo bola. Atavam um barbante na bola e este num pé de laranja. Jarbas tinha de bater na bola, alterando os pés direito e esquerdo - sem deixar o barbante se estender por completo, e com voz forte fazia a contagem do placar. Cada esticada era um gol contra. Assim nasceu o craque.

Em 1961 e 1962 jogou pelo Aliança. Em 1963 no Juventude de Cruzeiro, à época de sua fundação. No inicio de 1965, foi para o Cruzeiro de Porto Alegre, levado por um cruzeirista que era gerente do Banco Industrial de Santa Rosa. Foi com uma condição: jogar e estudar.
Morava na concentração do clube com outros jogadores que não tinham o mesmo interesse. Desistiu do estudo.
No auge de sua carreira, no segundo semestre de 1965 quando num Internacional e Cruzeiro, marcou os 2 gols da vitória de 2x1.
Logo em seguida o Internacional mostrou interesse por ele.

Tendo ouvido a notícia, pela Guaíba, mandei-me para Porto Alegre. Logo na chegada tive de ir ao centro, na Livraria do Globo. Caminhando pela Rua da Praia, ouvi alguém chamando pelo nome do irmão. Vi um senhor na porta de uma loja que o estava chamando. Mostrou-o ao Jarbas e ele falou:

Bah! Plínio: é o Artur Dallegrave.
Perguntei se era verdadeira a noticia, que lhe foi confirmada quando Dalegrave que falou: - resolvam as contas com o Cruzeiro agora e de tarde podes te mudar para os Eucaliptos.

O problema é que um dos diretores emprestou um dinheiro para o Clube e ficou com o passe do Jarbas, por um valor muito acima do que o Inter estava propondo pagar. Falei com o tal diretor e não consegui redução no valor. Não deu negocio
Logo em seguida houve uma convocação de uma seleção gaúcha para representar o Brasil no Sul-americano. O Jarbas foi convocado.
Era final de ano e tinha o tal torneio da morte contra o Rio Grande, para ver quem ficaria na divisão especial
O presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Senhor Rubens Hoffmeister (cruzeirista fanático), o desconvocou para que reforças o Cruzeiro. Na verdade não sei ate que ponto o Cruzeiro foi bom para o Jarbas.
Em 1967, foi para o América, levado pelo Otto Gloria que estivera em Porto Alegre como técnico do Grêmio. Em 1968 e 1969 esteve o Sport Clube Recife. Andou jogando também no Valeriodoce de Itabira-MG. Em 1969 retornou para Santo Ângelo, jogou pouco tempo na AESA.


Fez parte de um grupo de amigos que tinha um time de futebol de salão: Depois das Seis. Participavam o Deputado .Adroaldo Loureiro, Dr.Ferreira e outros médicos.

Num jogo treino fez um golaço de sem pulo e em meio à comemoração veio falecer de um ataque cardíaco, apesar de toda assistência médica na hora.
* Em sua cidade – Santa Rosa - Jarbas jogou no EC Aliança, na ASRE (profissional), Dínamo FC (profissionalizado mais tarde) , EC Real Madrid, GE Sepé Tiarajú e Juventude FC do Bairro Cruzeiro (amadores).


Acima, o time do Cruzeiro em 1967. Uma formação importante da história estrelada. O goleiro Silveira havia jogado no Internacional; o lateral Eraldo jogou no América-RJ; Pio atuou de 1966 a 1972 no Cruzeiro e depois brilhou no Londrina-PR; Alfredo Mostarda foi Bicampeão Brasileiro pelo Palmeiras e disputou a Copa do Mundo de 1974 pela Seleção Brasileira; Laerte é irmão do Laerte que jogou na excursão à Europa e é tio de Jair e Marcelo Prates; Cacildo também jogou no Internacional; Heraldo Bezerra foi vendido em 1968 para o Newel's Old Boys da Argentina  e depois brilhou no Atletico de Madrid sendo campeão Espanhol e Campeão Mundial Interclubes em 1974 além de ter jogado na Seleção da Espanha; Birinha se destacou no Brasil de Pelotas; Jarbas Tonel também jogou com sucesso no América-RJ, Náutico e Sport Recife. 
Colaboração de Raul Meneguini

Depoimento de Milton H. Schwerz 
 
Ele foi transferido ao Esporte Clube Cruzeiro de Porto Alegre em 1964. Eu bem sei disso, pois acompanhava muito o futebol. Lembro que ele era reserva no Cruzeiro, apenas mais um no Clube. Em 1965, ficaram poucos jogadores do ano anterior e como o Jarbas sempre entrava bem nos jogos, ficou no plantel, mas o time era muito fraco, pois eu olhei vários jogos do Cruzeiro, inclusive o famoso 2x1, com dois gols dele. Quase me botaram arquibancada abaixo, pois eu vibrei muito com seus gols. Explicava que era conterrâneo e jogador dos juvenis de seu clube anterior. Lembro-me que o Cruzeiro ganhou um jogo apenas no campeonato; só empatava e perdia, tornando-se o lanterna da competição. Mas o lanterna tinha mordomia (gordura) na época. A FGF concedia nova oportunidade de se redimir, realizando dois jogos com o campeão da 2ª divisão, o Riograndense de Rio Grande.  Denominava-se de Torneio da Morte, quando o anilado empatou em 0x0 em seus domínios e perdeu de 1x0 fora de casa.

A seleção gaúcha, treinada pelo Capitão Carlos Froner, representou o Brasil na esquecida Taça H'oggins contra o Chile. Lembro-me, de um treinamento no campo do Força e Luz de Porto Alegre, o Jarbas deu um 'baile' no lateral Altemir, ex-Grêmio.
Em 1965 (segundo Raul Meneguini) ou 1966(Segundo Geraldo Rosa), o Cruzeiro veio realizar um amistoso ante o Juventude FC do Bairro Cruzeiro-Santa Rosa, e o placar foi de 4x0, com dois gols de Kosileck e o arqueiro do Juventude era o Gilberto Rosa (Beto). Tenho certeza de que o amistoso ocorreu num desses anos, pois Milton H. Schwerz jogava no Juventude, mas naquele período esteve estudando em POA e não participou do jogo.



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