sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Personagens

NUNO: Uma página do nosso futebol.

Numa visita ao Museu Municipal, encontramos o Nuno. De palavra fácil, muito atencioso, discorremos bastante sobre o futebol de Santa Rosa. Tanto que resolvemos transformar nossa conversa em entrevista. Vamos lá.

Quem é Nuno? -Meu nome verdadeiro é Valdir Weiss, nascido em 1945, na cidade de Guarani das Missões/RS. Vim para Santa Rosa, aos 5 anos, acompanhando minha família. Ninguém me conhece pelo nome e sim pelo apelido de Nuno, adquirido por causa do futebol. Aos 14 anos comecei jogar no 1º de Maio. Depois, joguei no Ferroviário, Sepé Tiarajú, Aliança e A.A. Real. Sou aposentado como servidor municipal e continuo na ativa como guardião de um grande patrimônio: o Museu Municipal de Santa Rosa.

Seu primeiro clube foi o 1º de Maio. Fale sobre sua trajetória no clube: Como já falei, comecei a jogar com 14 anos. Nunca disputei jogos nas equipes de aspirantes. Sempre fui titular em todos os clubes que passei. Jogava em qualquer posição do ataque. O campo do 1º de Maio era à esquerda na descida da Borges de Medeiros, na curva, antes da ponte do Rio Pessegueiro, saída para Giruá, hoje Vila Piekala. Do outro lado da avenida, na antiga Baixada do Pessegueiro, jogava a Academia Liverpool, que pouco durou. O nosso campo era muito bonito, uma boa grama, dava para rolar bem a bola. O uniforme era alvi-verde. Disputávamos muitos jogos com times de Ijuí e Santo Ângelo. Era um bom time. Fomos campeões do futebol menor em 1967. Eu gostava muito do 1º de Maio. O domingo era reservado para jogar lá. No sábado até poderia atuar para outra equipe, mas o domingo era sagrado para o 1º de Maio. Eu jogava bem. Chutava tanto com a perna direita como com a esquerda. Tanto fazia, com bola rolando ou na cobrança de faltas.  As vezes eu jogava nos sábados e também no domingo. Aos sábados a noite íamos ao cinema e depois direto para casa, pois, no domingo tinha o jogo. Os clássicos da época eram quando se defrontavam entre si, o 1º de Maio, o Prenda(time do frigorífico), o Ypiranga da Vila Sulina e o Serrano do KM 3.
Recordo muito das caminhadas que fazíamos para jogar. Íamos de transporte até o Bairro Cruzeiro e de lá a pé até o Lajeado Reginaldo, no campo do Farroupilha. Depois do jogo voltávamos também a pé, de lá até a Avenida Borges de Medeiros. Era uma baita distancia, mas se enfrentava.



E, no Ferroviário, como foi sua participação? Pois é. Um grupo de pessoas deixou o 1º de Maio. Eu o Nenê Reihner, o Davi Schütler, os três irmãos da família Batista, o Valtair, o Valdir e o João Carlos, o João Wandenvert, o Canhoto, é os que me lembro e então fundamos o Ferroviário. Deixamos o que tinha, fardamento, troféus, etc. para o 1º de Maio, que mais tarde transferiu-se na antiga Baixada e posteriormente para um campo na Vila Planalto, até encerrar suas atividades. O campo do Ferroviário se localizava na saída para Cândido Godoy, na propriedade da família Schütler, em frente hoje da Vila Auxiliadora. O Ferroviário é o mesmo assumido mais tarde pelo saudoso Pedro Motta, tantas vezes campeão municipal. As corres do Ferroviário era vermelho e branco. 

O Senhor teve uma boa passagem também pelo Sepé Tiarajú. Foi um bom momento como jogador? Sim. Eu estava com 22 anos. Fomos disputar o Campeonato Estadual de Amadores. Lá eu era remunerado. Ganhava para jogar. O alvi-azul montou um bom time, mas não foi longe. Lembro de dois jogos, que me marcaram muito. Ambos com o Riograndense de São José do Inhacorá, que na época ainda era distrito de Três de Maio, em que marquei 5 gols. Recordo que jogavam o Pompéia, o Giba, o Quindó, o Gordo (João Fortes), Miro, Orestes e os irmãos Uca e Iba que moravam da Vila Nova. No primeiro jogo, na casa deles, lá em São José, num sábado a tarde, o Maschio e o Presidente, Professor  Dorival Barcelos, de táxi, me buscaram em casa e fomos para o jogo com somente 13 atletas. Fomos se fardando no ônibus, durante a viagem. Estávamos bastante atrasados. Quando lá chegamos já estavam em campo o Riograndense e o trio de arbitragem. Estavam felizes, pois achando que ganhariam por WO. Foi quando aparecemos. Entramos em campo, em com dois gols meus, ganhamos o jogo. O Spíndola, que na época  trabalhava  na Rádio Sulina, foi junto para fazer a reportagem. No segundo jogo, no Carlos Denardin, que também foi o último que disputei pelo Sepé, tínhamos somente 10 atletas para o jogo. Foi então que apareceu o Gordo (João Fortes), que havia chegado de volta a cidade (parece que vindo de Bagé), utilizou a ficha de seu irmão, que eram muito parecidos, imitou tão bem a assinatura, que os fiscais do jogo não perceberam. O Gordo completou os onze. Jogamos sem reservas. Neste jogo fiz três gols. O primeiro, recebi a bola no meio do campo e fui driblando até fazer o gol. Ainda no primeiro tempo Pedro (lembro o nome do jogador) empatou para o Riograndense. Numa rápida escapada, ainda na primeira etapa,  marquei o segundo. Eu estava fisicamente bem preparado. Corria muito. No segundo tempo alguns companheiros do time me isolaram, mas mesmo assim, fiz o terceiro e o Alfonso o quarto. Ganhamos por 4 a 1. Foram dois jogos que me marcou muito.

Paladino e Aliança eram na época, os grandes times da cidade. Pelo seu futebol,  poderia ter jogado em ambas equipes.  Faltou convite de ambos para jogar? O que houve? Recebi convite do Aliança, numa oportunidade.  Fiquei pouco por lá, pouco me lembro daquela passagem. No Paladino nunca joguei. Eles traziam muitos jogadores de fora, de outras cidades para os dois times. Eram todos remunerados. Lembro do Dr. Monte Alvar, do Paladino e do Francisco Berta do Aliança, que comandavam os dois times.

O Senhor colaborou também na fundação da Associação Atlética Real? Foi o último clube que joguei, além de ajudar na sua criação. Até hoje participo colaborando. A fundação da A. A. Real foi na data de 02 de abril de 1969. Possui estatuto constituído legalmente, com todos os registros. Suas cores são verde e vermelho, como a Portuguesa de São Paulo. A  A.A. Real  iniciou suas atividades no velho campo da baixada do Pessegueiro, na Borges de Medeiros, onde era o antigo estádio, Depois a Prefeitura negociou o terreno para uma empresa se instalar no local e nos repassou em comodato por 10 anos o campo do Soni, na Vila Planato. Faz uns cinco anos que estamos lá.

Quando o Senhor parou de jogar futebol? Eu estava na A.A. Real. Aos 31 anos sofri uma lesão no joelho e tive que fazer uma cirurgia com o Dr. Medina. Fiquei hospitalizado durante duas semanas. Não deu mais. Parei de vez como jogador de futebol.

Para finalizar, o que o Senhor gostaria de acrescentar? Olha. Eu trabalho aqui no museu. E não tem nada que trata do nosso futebol. É uma pena, porque é a nossa história que se perde no tempo.  Gostaria que as autoridades do município fizessem alguma coisa para preservar a memória do nosso futebol.

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